26/03/2022 às 08h47min - Atualizada em 26/03/2022 às 08h47min

Enquanto governos medem forças e fazem seus cálculos de conquistas no 30º dia de conflito, população ucraniana continua sendo alvo de ataques

DANIELA MERCIER
Folha
Enquanto governos medem forças e fazem seus cálculos de conquistas no 30º dia de conflito, população ucraniana continua sendo alvo de ataques. Lembramos a dimensão humana da destruição causada pela guerra. 

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DANIELA MERCIER
O que aconteceu
  • Putin sancionou lei que censura divulgação de 'informações falsas' sobre a guerra; 
  • Biden viajou à Polônia e disse que conflito é entre democracia e autocracia;
  • Rússia diz que criou corredor parcial entre a Crimeia e o Donbass e considera ter cumprido quase toda a '1ª fase' da guerra;
  • EUA dizem que Moscou perdeu o controle de Kherson, 1ª cidade cercada.

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Imagem do dia
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Idoso passa na frente de área incendiada em Kharkiv, segunda maior cidade ucraniana; ataque a centro médico matou ao menos quatro pessoas, segundo governo - Sergey Bobok/ AFP
Vidas perdidas
As tropas de Moscou ainda tentavam se aproximar de Kiev, na incursão ordenada pelo presidente Vladimir Putin duas semanas antes para pressionar a Ucrânia a entregar suas armas, reconhecer a autonomia de territórios pró-Rússia e garantir que não se alinharia ao Ocidente. Os objetivos, ainda longe de serem alcançados passado um mês do início da invasão da ex-república soviética, mobilizou os principais líderes mundiais para mitigar um conflito que pode ser um dos maiores desde a Segunda Guerra Mundial e que, qualquer que seja o desfecho, promete alterar a geopolítica global. 

Mas, naquele 10 de março,  uma idosa que cortava lenha no quintal de sua casa nos arredores da capital ucraniana morria atingida por estilhaços de um bombardeio. Os russos intensificavam seus ataques aéreos na região, e o imóvel dela foi o único atingido em todo o quarteirão. 

A história foi contada pelo fotojornalista André Liohn, 47, enviado da Folha à Ucrânia. Experiente na cobertura de conflitos, com trabalhos premiados internacionalmente, ele destacou o momento como símbolo do impacto da guerra na vida cotidiana.

“Que ameaça essa senhora representava para o Kremlin? Nenhuma. A guerra é uma coisa horrenda porque pessoas como essa morrem. Prédios vazios sendo destruídos não significam nada”, disse Liohn em uma conversa para esta newsletter no mês passado.

Com reportagens em texto, fotos e vídeos, Liohn nos ajuda a entender a dimensão do sofrimento dos civis ucranianos. Histórias de quem perde a própria vida, que sofre o luto, tenta se esconder ou fugir ou se arrisca para salvar parentes ou desconhecidos. Algo que os números não dão conta de mostrar:
 
  • 1.081 é o número de civis mortos estimado pela ONU, incluindo ao menos 90 crianças —cifra que se sabe ser subestimada devido à falta de informações confiáveis dos governos e à própria dificuldade dos resgates;
  • 1.351 militares russos foram mortos, segundo o cálculo oficial. É a maior baixa para Moscou desde a Segunda Guerra Mundial;
  • não há estimativas claras das mortes de militares da parte de Kiev.

Nesta sexta, a prefeitura de Mariupol, cidade sitiada pela Rússia, afirmou que o número de mortos em um teatro bombardeado em 16 de março pode chegar a 300. O local servia de abrigo para a população. A estimativa se baseia em informações de testemunhas. A Rússia nega ter atacado o local. 
 
Não se perca
Três histórias comoventes contadas pelo enviado à Ucrânia na Folha mostram como sobreviventes da guerra tentam se proteger da guerra e ajudar parentes e desconhecidos: 

Abrigo atacado
Internada em um hospital de Zaporijía, que tem recebido refugiados de Mariupol, Haliana Ivanivna contou que havia transformado a sua hospedaria para trabalhadores em um abrigo de guerra que foi atacado. Chegou a receber cerca de 170 pessoas, que precisou proteger em um porão, e teve de derreter neve devido à falta de fornecimento de água. "Se pudesse, voltaria para ajudá-los. Sonho todas as noites que as crianças estão bem, que as mães estão bem, que todos eles sobreviveram", disse.

Busca por parentes
Quando conversou como repórter, Oleg, 47, que não quis divulgar o sobrenome, tentava pela terceira vez voltar a Mariupol para buscar a ex-mulher e o filho. "A única coisa que tenho em mente é que eu preciso chegar lá. Não importa como." Ele disse trabalhar para uma organização humanitária e que tentaria passar pelo controle russo sem nenhuma permissão oficial. "Não sei onde elas estão, se estão vivas ou não", relatou. 

Resgate de idosos
Liohn também acompanhou em Irpin o funcionamento dos corredores humanitários, que, como relatou, mostravam pouco da humanidade que o nome carrega. Lá, voluntários civis aproveitavam o cessar-fogo temporário para resgatar idosos de uma casa de repouso, enfrentando a neve e os obstáculos dos destroços de bombardeios para ajudar quem não conseguia caminhar a sair da cidade. 

 
 
 O que ver e ouvir para se manter informado
Como o conflito afeta a vida de mulheres e crianças em dois vídeos. 
 
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O futuro das crianças em meio à guerra
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Mulheres na guerra: ‘Perdemos nossas vidas’

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