17/09/2021 às 17h33min - Atualizada em 17/09/2021 às 17h33min

Tarifas dos grandes bancos saltam acima da inflação durante a pandemia

Serviços como depósitos, saques e transferências subiram entre 9% e 25%, enquanto a inflação acumulada no mesmo período foi de 8,35%, segundo um estudo do Idec

Júlia Lewgoy, Valor Investe
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Por Júlia Lewgoy, Valor Investe — São Paulo

A maioria das tarifas avulsas dos cinco maiores bancos saltou acima da inflação entre junho do ano passado e julho deste ano, em meio à crise do coronavírus, segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Serviços como depósitos, saques e transferências subiram entre 9% e 25%, enquanto a inflação medida pelo Índice de Preços Amplo ao Consumidor (IPCA) acumulada no mesmo período foi de 8,35%.

A maior elevação foi praticada pelo Banco do Brasil, que encareceu a compra de moeda estrangeira pelo “cheque viagem” em 213%, de R$ 80 para R$ 250, de acordo com a entidade. A segunda maior elevação foi praticada pelo Bradesco, que aumentou o preço do depósito em 25%, de R$ 6,45 para R$ 8,05, conforme o instituto.

O custo dos pacotes das instituições financeiras também saltou em ofertas cujo público-alvo são clientes de classe média, mostra o levantamento. O pacote que mais subiu foi o "Bradesco Expresso 5", do Bradesco, em 20%, de R$ 27,70 para R$ 33,20.

A pesquisa foi feita com os seis maiores bancos: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú, Santander e Safra. O único que não elevou tarifas acima da inflação foi o Safra. Também foi realizada com sete bancos digitais: Nubank, Agibank, Neon, Original, Superdigital, Inter e Next. O relatório apontou que os bancos digitais mantiveram os preços.

O Idec avalia que os aumentos nos cinco maiores bancos foram abusivos, em um cenário de desemprego e renda mais baixa e de digitalização dos serviços. As instituições financeiras continuam praticando reajustes altos nas tarifas e nos pacotes, mesmo diante dos bancos digitais, do Pix e do open banking, que devem incentivar a competitividade do setor, afirma a entidade.

"Diante de uma crise econômica e sanitária, o aumento de valores tanto de tarifas, quanto de pacotes, não condiz com o cenário atual do consumidor brasileiro, que não obteve contrapartidas por parte das instituições financeiras", diz Ione Amorim, economista e coordenadora do programa de serviços financeiros do instituto. "Os ganhos em escala obtida com a tecnologia na prestação de serviços não são repassados aos consumidores."

Após a elaboração do estudo, o Idec enviou uma carta ao Banco Central questionando a ausência de regulamentação para os pacotes criados pelos bancos e sua descontinuação sem informar os consumidores.

O que dizem os bancos

O Banco do Brasil afirma apenas que não comercializa mais cheque viagem e que não cobra tarifas na venda de moeda estrangeira.

O Bradesco diz que investe de forma contínua na melhoria dos serviços e que buscar evoluir na qualidade do atendimento. Conforme o banco, os valores cobrados refletem esse investimento. A instituição financeira afirma ainda que, quando são realizadas adequações de preço, o Bradesco é transparente na comunicação.

O Itaú diz que busca manter a melhor relação custo-benefício para os clientes. "Os valores cobrados nos pacotes de tarifas buscam contemplar as principais operações realizadas por eles, considerando as necessidades de cada segmento, e os reajustes levam em consideração, além da inflação, os custos operacionais", afirma.

"O Itaú reitera seu posicionamento de manter preços competitivos no mercado, sem abrir mão de apresentar aos clientes qualidade de serviço e produtos de valor agregado." Além disso, o banco diz que os correntistas podem optar pelos serviços essenciais gratuitos a qualquer momento e que é possível obter reduções de tarifas de acordo com o relacionamento mantido com a instituição financeira, podendo chegar à isenção total.

O Santander afirma que segue rigorosamente as regras do Banco Central que regulam as tarifas bancárias e que reajustes de preços são realizados com base na inflação do período. O banco também diz que o período entre junho de 2020 e julho de 2021 que o estudo se refere é um recorte que abrange dois períodos distintos.

A Caixa afirma que o ajuste em tarifas avulsas de contas de pessoas físicas ocorre para reequilíbrio dos custos e foi inferior à inflação, em média. O banco diz que as alterações observam as determinações legais e regulamentares aplicáveis. Além disso, a instituição financeira afirma que os pacotes de serviços de pessoas físicas não sofreram reajustes nos anos de 2020 e 2021.

A Caixa também diz que a tabela de tarifas é mantida permanentemente no site do banco e afixada nas dependências físicas da instituição financeira. "Reforçamos que a Caixa se mantém entre com os melhores preços de tarifas e pacote de serviços do mercado para seus clientes", afirma.

 


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