23/03/2022 às 08h33min - Atualizada em 23/03/2022 às 08h33min

Propinas por verbas do MEC foram cobradas até em ouro

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No que depender de Jair Bolsonaro, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, vai passar incólume pela divulgação de um áudio em que admite a prefeitos que dois pastores evangélicos indicados pelo presidente controlam a liberação de verbas da pasta. Segundo Guilherme Amado, interlocutores dizem que Bolsonaro, pelo contrário, vê o ministro, que também é pastor, fortalecido pelo episódio, pois comprova seu empenho em atender à base evangélica. (Metrópoles)

Faltou, porém, combinar com essa base. A bancada evangélica no Congresso deu 24 horas para que Ribeiro explique a atuação dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura. Como conta Mônica Bergamo, Santos não é considerado representativo das igrejas e Moura é virtualmente desconhecido. (Folha)

Paralelamente, o senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) e os deputados Tabata Amaral (PSB-SP) e Felipe Rigoni (União Brasil-RJ) entraram com uma representação conjunta contra Ribeiro na Procuradoria-Geral da República (PGR), o que também foi feito pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES) e os deputados Kim Kataguiri (União Brasil-SP) e Túlio Gadelha (PDT-PE). Já a Liderança da Minoria na Câmara encaminhou notícia contra o ministro e Bolsonaro ao presidente do STF, ministro Luiz Fux. (Poder360)

Diante da repercussão, o MEC divulgou na tarde de ontem nota em que o ministro negou o que disse na gravação. Segundo a nota, “a alocação de recursos federais ocorre seguindo a legislação orçamentária, bem como os critérios técnicos do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE)”. Ribeiro também procurou blindar Bolsonaro, afirmando que este pediu apenas que recebesse todos os que o procurassem, incluindo os dois pastores. (g1)

Mas os prefeitos estão começando a falar. Gilberto Braga (PSDB), de Luís Domingues (MA), disse que o pastor Arilton Moura exigiu R$ 15 mil antecipados para protocolar demandas do município e 1kg de ouro quando a verba fosse liberada. (Estadão)

Já Fabiano Moreti, prefeito de Ijaci (MG) relata que só foi recebido pelo ministro após a intervenção dos religiosos. “O pastor tem mais moral que deputado. Eu sou aliado de deputados que não conseguem uma agenda para mim com o ministro”, conta. (Globo)

Bruno Boghossian: “Bolsonaro distorceu as funções do MEC quando submeteu o ensino do país à cartilha de grupos religiosos. Com um pastor no comando do órgão, o governo quis decidir o que pode ser dito na escola e cobrado em provas oficiais. Por trás dessa fachada conservadora, havia outros interesses em jogo. O governo organizou e vitaminou uma operação de tráfico de influência ao apontar oficialmente os personagens autorizados a distribuir a verba da educação.” (Folha)


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