28/01/2022 às 19h23min - Atualizada em 29/01/2022 às 00h00min

Especialistas destacam as principais tendências em tecnologia para 2022

C-levels de companhias do setor apontam quais soluções e inovações devem ganhar destaque em áreas como Saúde, Varejo, Indústria, Logística, entre outras

SALA DA NOTÍCIA Renata Pessôa

Chegada do 5G a todas as capitais brasileiras, transformação digital acelerada nas organizações, consolidação de ferramentas tecnológicas para trabalho híbrido, ampliação do uso de Inteligência Artificial e Machine Learning. O ano de 2022 promete ser mais um ano de muitos avanços e inovações. Prova disso aparece no estudo da International Data Corporation (IDC), que aponta que a expectativa é que mais da metade da economia global seja baseada ou influenciada pelo digital em 2022. Também mostra que 70% de todas as empresas terão acelerado o uso de tecnologias digitais neste ano.

Mas, afinal, quais tecnologias devem ser protagonistas em 2022? Ouvimos a opinião de especialistas na área de tecnologia em diferentes segmentos para apontar quais as soluções e inovações irão se destacar. Confira a seguir as principais tendências:

Saúde: 5G

A pandemia acelerou o uso de Inteligência Artificial, Internet das Coisas e teleatendimento na área da saúde. Para 2022, a expectativa é que essas soluções sejam consolidadas, principalmente com a implementação do 5G. Para Gean Pereira, head de Inovação da healthtech Zitrus, a nova tecnologia irá acelerar soluções já existentes, agilizando diagnósticos e tornando os tratamentos mais assertivos, além de permitir a disseminação de dispositivos para monitorar a saúde dos pacientes e acionar, imediatamente, serviços de saúde. “O 5G irá garantir ainda mais qualidade e acesso às teleconsultas. Esse avanço na conexão vai melhorar toda a experiência de atendimento na saúde, que irá oferecer um acompanhamento mais personalizado, integrado e os pacientes irão assumir o protagonismo neste processo”, complementa.

Varejo: Softwares de gestão e Frente de caixa móvel

O checkout móvel é uma tendência focada na otimização da experiência do consumidor. A ideia geral envolve a substituição de um caixa físico por um dispositivo móvel com software que integra ponto de venda, meios de pagamento e emissão da nota fiscal, o que elimina filas. “Sem a obrigação de se limitar por trás dos caixas, todos os funcionários podem se concentrar nas necessidades de cada cliente, fazendo um acompanhamento do ciclo completo de atendimento — da chegada na loja até a efetivação da compra”, explica João Gustavo Pompeo, CEO da Eyemobile, empresa de tecnologias para vendas físicas e digitais. Com o PDV móvel, a equipe também passa a contar com informações na ponta dos dedos, podendo esclarecer dúvidas e fazer recomendações e ofertas com base em dados e históricos cadastrados.

Com o objetivo de dinamizar o acesso à documentos e integrar serviços, softwares de gestão que facilitam muito a vida do empreendedor também estarão entre os destaques do próximo ano na área de varejo. “Este é o caso de ferramentas como o Clipp360, por exemplo, que além de acelerar os processos administrativos, facilita o gerenciamento de empresas — que pode ser feito de qualquer lugar e a qualquer momento. A ideia é dar toda a mobilidade que o varejo de hoje necessita, trazendo nele recursos simples e de fácil utilização”, explica Marcio Bellini, diretor de Desenvolvimento da Compufour Zucchetti.

Franquias: Centralização de comunicação

A gestão de uma franqueadora com seus franqueados e colaboradores é influenciada conforme a metodologia de gestão e comunicação utilizada, principalmente quando se trata de uma grande rede com capilaridade e atuação em diferentes regiões. Guilherme Reitz, CEO da retailtech Yungas, explica que, no geral, grandes franquias utilizam diversos aplicativos e extensões para comunicação e acompanhamento do negócio, mas que não atendem, na íntegra, as particularidades de cada operação. Essa situação se reflete em todo o mercado de franchising e, para 2022, grandes marcas deverão investir cada vez mais em processos que possam compreender as necessidades dos parceiros e tornar a troca de informações mais clara e objetiva. “A comunicação feita de forma estratégica, por exemplo, pode reduzir em até 80% o tempo gasto no envio de comunicados para toda uma grande rede, fator que melhora a experiência dos colaboradores e eleva a performance da franquia”, completa.

Indústria: Simulação Computacional

A velocidade do desenvolvimento tecnológico, essencial nos dias atuais, só é possível por uma razão: simulação computacional. Presente em diversos setores, contribuindo com sustentabilidade, segurança, indústrias e educação, a simulação ainda tem muito para beneficiar a humanidade. “Em 2022 e no futuro próximo, essa tecnologia precisa ser ainda mais acessível e mais fácil de usar. Assim, os resultados se tornarão mais rápidos e mais aplicáveis aos problemas do cotidiano. Considerada a solução que promoveu a digitalização da engenharia, a simulação vai, naturalmente, passar a resolver problemas mais complexos”, afirma Clovis Maliska Jr, CEO da ESSS.

Energia: API Gateways e plantas híbridas

Com o aumento no volume de dados no setor de energia e o uso deles em ferramentas de análise, as APIs (Application Programming Interfaces) têm ganhado cada vez mais relevância. Segundo Danilo Barbosa, VP Executivo e sócio-fundador da Way2, elas podem ser entendidas como um conjunto de interfaces padronizadas para integração, por meio das quais um sistema pode consultar dados e realizar operações em outro. Para Danilo, em 2022 essa será uma das tecnologias mais importantes para o setor de energia. “Com a possibilidade de regras para a portabilidade de dados na abertura do setor, a maior digitalização no relacionamento com consumidores, além da adequação à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), o uso de API Gateways para monitoramento e controle destas interfaces deve aumentar bastante”, avalia.

Outra tendência que tende a crescer no setor elétrico são as plantas híbridas, que são usinas de geração de energia que têm mais de uma tecnologia envolvida, principalmente as renováveis. Rodrigo P. Gosmann, engenheiro da REIVAX, destaca que, ainda que a modernização do setor esteja acontecendo a passos lentos, ela é extremamente importante para evitar novas crises hídricas. “A geração de energia solar e a eólica, por exemplo, são complementares. Combinar as duas é uma estratégia que deve aumentar nos próximos anos, porque o método reduz a imprevisibilidade natural das energias renováveis e garante um fornecimento mais estável e sustentável para a população”, explica.

Logística: Arquitetura de microsserviços

Para 2022, flexibilidade, agilidade e inovação devem estar em primeiro lugar quando se trata de impulsionar a agenda de negócios na cadeia de suprimentos. Assim, a adoção de arquitetura de microsserviços e soluções em nuvem será essencial. “Os microsserviços constituem um conceito de empacotamento e implantação que visa criar agilidade técnica, diminuindo o tamanho e as dependências de implantação entre os componentes de um aplicativo”, explica Marco Beczkowski, diretor de Vendas e CS da Manhattan Associates Brasil. A mudança para microsserviços significa investir em agilidade. “Tem o potencial de acelerar os ciclos de vida de desenvolvimento e suportar a escalabilidade, seja para cargas de trabalho baseadas em nuvem, períodos de pico de vendas sustentados e de comércio eletrônico, transporte flexível e planejamento de entrega, ou simplesmente desafios da força de trabalho do armazém”.

Agronegócio: Monitoramento de operações

A ideia de incentivar o uso mais intensivo de dados que estão sendo gerados pelos equipamentos em campo é uma tendência que deve crescer no próximo ano, segundo Bernardo de Castro, presidente da divisão de agricultura da Hexagon, que desenvolve e fornece tecnologias agrícolas e florestais. “É possível utilizar os mesmos dispositivos que promovem agricultura de precisão — como aplicação de insumos e piloto automático, por exemplo — para o monitoramento de frotas. Essa é uma oportunidade de alavancar a digitalização do campo através do uso mais efetivo de dados”, reforça. Com o monitoramento, os gestores têm a visão do que está ocorrendo e a garantia de que o desempenho máximo de cada máquina está sendo executado.

Moradia: Aluguel e coliving

Eduardo Gastaldo, especialista em economia compartilhada e CEO da Bewiki, acredita que negócios como o da proptech, que constrói e gerencia empreendimentos que reúnem studios prontos para morar, escritórios compartilhados e outros serviços essenciais, devem crescer em 2022. O aumento da demanda por espaços prontos para morar acontece em um cenário em que as pessoas estão buscando um estilo de vida mais flexível e descomplicado. “Mudanças como o home office tornaram possível morar em diferentes cidades em espaços curtos de tempo, sem precisar considerar o deslocamento para o trabalho. Por isso, negócios que permitem que a pessoa apenas arrume suas malas e se mude, sem precisar carregar uma casa inteira junto, devem se tornar ainda mais populares no próximo ano”, avalia.

Gestão empresarial: Integrações entre sistemas de diferentes origens

O mundo está cada vez mais conectado e isso não deve ser diferente no universo corporativo. Para Marcio Tomelin, Diretor de Produto e Mercado da WK, uma grande tendência para os próximos anos é a oferta de serviços integrados dentro do próprio sistema. “Nós vamos ver muitos softwares entregando soluções, mas também vendendo outras, de diferentes empresas, que se complementem com o seu sistema. A palavra da vez é autonomia, então certamente veremos tecnologias (como IA e IoT) simplificando o dia a dia dos usuários, dando a eles mais facilidade e menos necessidade de serviços de terceiros para lidar com suas demandas”, comenta.

Gestão de pessoas: soluções “voice of employee”

As soluções que coletam e analisam, por meio de pesquisas, as percepções e sentimentos dos colaboradores devem permanecer em alta mesmo com o pós-pandemia. Isso porque elas são fundamentais para reunir dados e fornecer percepções com orientações para ajudar a melhorar o engajamento, experiência, produtividade e desempenho dos colaboradores. “A procura por pesquisas contínuas de clima cresceu por conta da pandemia, e a demanda tende a continuar crescendo, já que os ambientes de trabalho remotos e híbridos provavelmente vão seguir. A escuta contínua é um elemento crítico para manter uma conexão com essa força de trabalho distante, e possibilita ouvir um conjunto mais amplo de preocupações dos funcionários, priorizar investimentos e agir rapidamente quando necessário”, destaca Cesar Nanci, CEO da Pulses.


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