07/11/2021 às 06h51min - Atualizada em 07/11/2021 às 06h51min

Governo Bolsonaro repete falha e estoca 1,2 mi de testes de Covid que vencem este mês

Ministério da Saúde volta a acumular exames quase vencidos; lote que expira em novembro vale R$ 42,1 milhões

Mateus Vargas Brasília
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O Ministério da Saúde armazena cerca de 1,2 milhão de testes do tipo RT-PCR para Covid que perdem a validade durante o mês de novembro.

Considerados de "padrão-ouro" para diagnóstico, os exames podem ser incinerados se não forem usados nas próximas semanas. Cerca de 250 mil testes expiram em 18 de novembro. Outro lote, de 942 mil unidades, vence no dia 27.

Estes produtos estão avaliados em R$ 42,1 milhões e chegaram há mais de quatro meses no ministério. No fim de 2020 o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) virou alvo de críticas por estocar cerca de 7 milhões de exames com validade curta.

O ministério esconde os dados de estoques dos insumos do SUS. A Folha revelou que vacinas, testes e medicamentos avaliados em R$ 243 milhões venceram no armazém do Ministério da Saúde, em Guarulhos (SP).

A curta validade dos exames do tipo RT-PCR preocupa gestores do SUS. Alguns estados já perderam produtos para diagnóstico durante a pandemia por perderem o prazo para uso.

Em nota, o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) disse que não tem acesso aos dados sobre os testes estocados.

"Também não temos a informação sobre a possibilidade de o ministério distribuir aos estados insumos usados nos testes RT-PCR com curto prazo de validade", afirmou a entidade.

O volume de exames guardados em Guarulhos e os prazos de validade foram levantados pela Folha com base em documentos internos do Ministério da Saúde e confirmados por integrantes da pasta.

O ministro Marcelo Queiroga e seus auxiliares mais próximos só souberam do estoque com validade curta após os questionamentos da reportagem, segundo integrantes da pasta.

Procurada, a Saúde disse que "todos os testes" em estoque estão em "fase de distribuição aos estados". O ministério, porém, não confirmou o volume armazenado.

Para Adriano Massuda, médico, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-secretário-executivo da Saúde, o estoque perto do fim da validade mostra "absoluta incompetência gerencial de questão básica", além de "descaso absoluto com o recurso público".

"O Ministério da Saúde deixou de comandar a resposta à pandemia. A testagem é central, por mais que tenha avanço na vacinação. A gente precisa continuar testando muito para acompanhar como está a dinâmica da epidemia", afirma Massuda.

​Consumir os testes antes do fim da validade desafia a lógica dos exames do SUS. Isso porque o número de testes RT-PCR feitos na rede pública está em queda. Ficou abaixo de 1 milhão de diagnósticos nos últimos dois meses.

Além disso, os estados não utilizam apenas os produtos comprados pelo Ministério da Saúde e têm reduzido os pedidos de entrega ao governo federal. Em outubro, secretarias estaduais pediram ao ministério o envio de 412,9 mil exames contra 1,2 milhão no mês anterior.

Fabricado pelo laboratório Seegene, da Coreia do Sul, e comprado pelo Ministério da Saúde por meio da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), o exame que vence em novembro não é compatível com todos os laboratórios da rede pública.


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