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18/10/2021 às 07h02min - Atualizada em 18/10/2021 às 07h02min

Esquerda precisa falar sobre sua rede de ódio, diz líder da UNE que dialogou com FHC e MBL pelo 'fora, Bolsonaro'

Alvo de ataques, Bruna Brelaz, presidente de entidade estudantil, cobra mais gestos do PT e de Lula por impeachment e olho no 'Brasil real'

Alencar Izidoro Carolina Linhares São Paulo
https://www1.folha.uol.com.br
Bruna Brelaz, presidente da UNE, em São Paulo - Zanone Fraissat/Folhapress

Nos anos 1990, a UNE (União Nacional dos Estudantes) foi às ruas pelo "fora, FHC", com ataques ao que chamava de agenda neoliberal tucana. Na última década, chamava líderes do MBL (Movimento Brasil Livre) de golpistas diante da mobilização pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT).

Há três meses sob novo comando, a UNE agora virou vidraça na esquerda. Primeira mulher negra e da região Norte a presidir a entidade, Bruna Brelaz, 26, filiada ao PC do B, é uma árdua defensora de ampla aliança, inclusive com a direita e antigos inimigos, pelo "fora, Bolsonaro".

Desde julho, além de quatro encontros com Lula, decidiu se reunir com Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e subiu no palanque do MBL no ato de 12 de setembro pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

Foi chamada de "nazista", "fascista" e recebeu mensagens com incitações para que fosse agredida. Temeu participar da manifestação organizada pela própria esquerda em 2 de outubro.

"Fiquei com medo de sair na rua. E não fiquei preocupada por conta do bolsonarismo", diz Bruna em entrevista à Folha. "Essa rede de ódio precisa ser refletida pela esquerda. As pessoas que são lideranças desses campos precisam falar sobre isso", afirma. "Não podemos nos comportar como bolsonaristas."

Apesar de admitir "um balde de água fria" depois da timidez do último protesto contra Bolsonaro, a líder estudantil diz não ter perdido a esperança. Cobra menos debate eleitoral e mais gestos do PT e de Lula pelo impeachment, além de olho no "Brasil real".

A UNE fez campanha pelo "fora, FHC". Sob Dilma, chamava o MBL de golpista. E você esteve com FHC e subiu no palanque do MBL. O que mudou ou quem mudou nesse período: a UNE, o FHC, o MBL? Quem mudou foi o inimigo central, que é Bolsonaro. Para que a gente consiga a articulação desse impeachment, precisa fazer uma reunião dos mais amplos setores. Até mesmo os setores que nós combatemos.

A defesa da democracia é primordial para que a gente consiga fazer o embate das nossas diferenças. Para que limpe de campo esse obscurantismo e projeto antidemocrático. Reconhecendo que temos inúmeras diferenças. Não deixamos de discordar do MBL, não deixamos de discordar do Fernando Henrique Cardoso e nem da política neoliberal que ele implementou.

Já foi chamada de direitista na UNE? Fui chamada de coisa mais pesada, de nazista, fascista. As redes são um campo aberto. Mas não tenho medo de sentar na mesa com os diferentes, desde que eles estejam para debater a pauta comum da democracia.

A esquerda fez campanha para que as pessoas não fossem ao ato do MBL, inclusive lembrando que eles promoviam a Escola sem Partido. Como foi estar com eles na manifestação? O MBL fez um gesto de tentar construir um dia 12 [de setembro] mais amplo. Vi uma oportunidade de dialogar com essas figuras que não estavam nas outras manifestações. Sem elas, não conseguimos articular de fato o impeachment.

Fiquei muito preocupada porque não sabia qual seria a reação das pessoas. Fui com uma blusa neutra para chegar lá e trocar pela blusa branca com a frase da UNE [O Brasil se UNE pela democracia].

Ali dialogamos com figuras que votaram no Bolsonaro e que estão arrependidas. Nós, de todos os campos, precisamos estar preparados para dialogar com o Brasil real. O Brasil que elegeu Bolsonaro. Nem todas as pessoas que votaram no Bolsonaro são fascistas.

O MBL continua sendo o nosso rival político, discordamos profundamente sobre o projeto de país, mas eu estava ali exatamente para garantir que nós continuemos a discordar.


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