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13/10/2021 às 18h27min - Atualizada em 13/10/2021 às 18h27min

Alcolumbre reage a pressão de Bolsonaro e evangélicos após travar indicação ao STF por 3 meses no Senado

'Querem transformar a legítima autonomia do presidente da CCJ em ato político e guerra religiosa', diz senador

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Alcolumbre reage a pressão de Bolsonaro e evangélicos após travar indicação ao STF por 3 meses no Senado

Em sua nota, Alcolumbre também menciona indiretamente a pressão que vem sofrendo de evangélicos.

"Tenho sofrido agressões de toda ordem. Agridem minha religião, acusam-me de intolerância religiosa, atacam minha família, acusam-me de interesses pessoais fantasiosos. Querem transformar a legítima autonomia do presidente da CCJ em ato político e guerra religiosa", afirma o texto.

"Reafirmo que não aceitarei ser ameaçado, intimidado, perseguido ou chantageado com o aval ou a participação de quem quer que seja."

Alcolumbre vinha mantendo uma posição mais discreta sobre a disputa, apesar da crescente pressão de senadores, líderes partidários, religiosos, além do Palácio do Planalto. O texto da nota ainda afirma que a CCJ tem muitas propostas na fila para serem analisadas e, numa crítica indireta, afirmou que dará prioridade para temas para destravar o crescimento econômico e controlar a inflação, dois problemas que corrõem a popularidade de Jair Bolsonaro.

"Tramitam hoje pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal cerca de 1.748 matérias, todas de enorme relevância para a sociedade brasileira. A prioridade do Poder Legislativo, no momento, deve ser a retomada do crescimento, a geração de empregos e o encontro de soluções para a alta dos preços que corroem o rendimento dos brasileiros", afirma o texto.

O presidente da CCJ ainda afirma que a demora para pautar a sabatina de André Mendonça não está ligada a nenhuma barganha política pessoal.

"A defesa da democracia, da independência e harmonia entre as instituições e, sobretudo, da Constituição sempre balizou o meu posicionamento político. Diversas vezes me coloquei contra aqueles que buscavam a ruptura democrática, desrespeitando os poderes constituídos, a liberdade de imprensa e a própria democracia para criar crises políticas que impediriam a governabilidade do país", afirma o texto.

"Jamais condicionei ou subordinei o exercício do mandato a qualquer troca de favores políticos com quem quer que seja", completa.

Alcolumbre também afirma que a Constituição estabelece que a nomeação de um membro do STF não configura um "ato unilateral e impositivo do chefe do Executivo" e que exige a participação do Senado. O parlamentar ainda lembrou decisão do próprio Supremo que negou pedido para que a sabatina fosse pautada imediatamente.

Ele reafirmou a prerrogativa dos presidentes das comissões permanentes do Senado para definirem a pauta das sessões.

"Em recente decisão, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a regularidade de nossa atuação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e reafirmou a prerrogativa dos presidentes das comissões permanentes do Senado para definirem a pauta das sessões, sendo matéria interna corporis, insuscetível de interferência, em atenção ao princípio da separação e harmonia dos Poderes. A mais alta corte do país ratificou a autonomia do Senado Federal para definição da pauta".

Na segunda-feira (11), o ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), rejeitou um pedido de parlamentares para que Alcolumbre fosse obrigado a marcar a data da sabatina de André Mendonça.

O magistrado afirmou que a decisão de pautar o tema é uma questão interna do Legislativo e que não seria correta uma interferência do Judiciário nesse caso.

No domingo (10), Bolsonaro criticou Alcolumbre pela demora em marcar a sabatina.

"Quem não está permitindo a sabatina é o Davi Alcolumbre (...) Teve tudo o que foi possível durante os dois anos comigo e de repente ele não quer o André Mendonça. Quem pode não querer é o plenário do Senado, não é ele. Ele pode votar contra, agora o que ele está fazendo não se faz. A indicação é minha", disse Bolsonaro durante entrevista em Guarujá (SP).

"Se ele quer indicar alguém para o Supremo, ele pode indicar dois. Ele se candidata a presidente ano que vem e no primeiro semestre de 2023 tem duas vagas para o Supremo", continou.

A indicação de um ministro do STF ligado à bancada evangélica é uma demanda de líderes de grupos religiosos, que têm cobrado tanto o governo como o Senado pelo desbloqueio da análise do nome de Mendonça.

O pastor Silas Malafaia, aliado de Bolsonaro, divulgou na segunda um vídeo para centrar fogo no ministro Ciro Nogueira, da Casa Civil, a quem acusa de articular para a substituição do nome indicado pelo presidente.

 


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